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FIBERHOME APOSTA EM 120 NOVOS PROJETOS DE FTTH COM ISPS E AVALIA PPB LOCAL

A FiberHome, estatal chinesa criada em 1974 para desenvolver tecnologias de rede, afirma que, após três anos de estudos e tentativas, encontrou o caminho para fincar o pé no mercado brasileiro de equipamentos, sistemas e cabos de telecomunicações. Em 2013, a companhia, com o apoio da parceira local para CKD WDC Networks, implantou redes Gpon em 87 provedores regionais de banda larga (ISPs), um nicho que tem se mostrado rentável e com boas perspectivas de crescimento, aponta Jay Hu, representante chefe da empresa no Brasil. E, claro, é justamente no segmento de ISPs que a FiberHome pretende consolidar sua presença por aqui. Estimativas apontam que dos cerca de 5 mil ISPs do Brasil, apenas 500 já fizeram algum projeto de Fiber-To-The-Home (FTTH), mesmo que para testes, sendo que boa parte deles investiu em tecnologia Epon e deve buscar uma migração em breve. “É um mercado imenso, que deve crescer muito nos próximos anos”, aponta Vanderlei Rigatieri Jr., diretor geral da WDC Networks, parceiro local da FiberHome. A chinesa, no Brasil desde 2010, mantém projetos implementados em 95 ISPs até o momento, cerca de 20% de market share.

 

Para 2014, a expectativa é vender cabos ópticos para mais 120 provedores regionais de internet. Para isso, a FiberHome busca o apoio de bancos estatais chineses para oferecer um modelo de pagamento adequado às possibilidades desses empresários. Na avaliação de Hu, as boas perspectiva de vendas para o segmento devem levar à aprovação do pedido. “Podemos conseguir suporte do Banco Chinês, mas isso depende do tamanho do projeto que apresentarmos. Considerando nossa projeção de 120 ISPs, que representam cerca de 100 mil assinantes, creio que temos o suficiente”, declarou Hu ao TeleSíntese.

 

O grande entrave para a explosão do investimento dos ISPs em FTTH continua sendo, porém, o preço do aluguel dos postes, na avaliação dos executivos, algo que o governo vem tratando e que deve ser resolvido no ano que vem.

 

A FiberHome também avalia junto com a WDC Networks buscar a produção local conforme as exigências do Processo Produtivo Básico (PPB), não apenas para ter os incentivos fiscais, mas para permitir o financiamento da compra via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e aprovação junto a programas governamentais, como o REPNBL Redes. A WDC conta com planta própria em Ilhéus, na Bahia, de 7 mil metros quadrados. “Estamos discutindo o PPB, mas ainda há desafios de custo a serem superados”, salientou Rigatieri.

 

A consolidação da estatal chinesa no mercado óptico local também prevê a ampliação da área suporte técnico local, criada em 2012 para atender aos requerimentos dos clientes e o pós-venda. “Teremos uma equipe maior e estamos contratando ainda mais funcionários brasileiros”, salientou Hu. Ainda, a FiberHome vai abrir um escritório no Rio de Janeiro, que se soma aos já instalados em Curitiba e São Paulo. “Para nós, ter um escritório no Rio de Janeiro é importante para atender os ISPs, mas estamos olhando também para a Oi e Embratel”.

 

Em termos de produtos, a chinesa vai iniciar a venda de drop cables (conexão do poste até o assinante) no Brasil, um produto de maior valor e que encontra menor concorrência. “Estamos em processo de homologação na Anatel e vamos começar a vender no ano que vem”, afirma Hu.

 

DWDM e Carries

 

Apesar do foco da FiberHome para o Brasil estar no mercado de ISPs, a chinesa segue atenta às oportunidades junto às grandes carries e vem discutindo alguns projetos, entre eles a oferta de DWDM (Dense Wavelength Division Multiplexing), tecnologia óptica usada para aumentar a largura de banda em backbones de fibra óptica existentes.

 

WDC investe em central de suporte a redes de ISPs

 

A WDC está montando um centro operacional para apoiar ISPs a construção e manutenção de redes FTTH. “Já habituados a redes de rádio, esses empresários agora entram em uma nova fase em que é preciso ter projeto, parâmetro de rede, documentação e ainda o set-up da rede é mais complicado. Queremos ajudar no remodelamento e configuração, por isso vamos criar um grupo de suporte”, aponta Rigatieri.

 

As ferramentas de gerenciamento da FiberHome devem ser a base do suporte aos ISPs. Segundo o diretor geral, a estatal investe pesado em soluções de gerenciamento de forma que cada usuário passa a ser visível na rede. O próximo passo é apoiar a migração dos ISPs para IPTV, mas isso só deve ocorrer em 2015.